
“Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus conosco” (Mt 1.23)
Quando dizemos que Cristo é o Verbo de Deus, entre outras coisas estamos dizendo que Ele é a sabedoria eterna (logos) do Pai. Ele se tornou o tradutor entre Deus e uma raça caída que não podia falar Sua língua. Tentar entender Deus à parte de Jesus Cristo é tarefa impossível para os seres humanos, pois somos finitos e limitados em nosso entendimento e vontade, e nossa natureza é cegada pelo egoísmo e pecado. Conseqüentemente, Jesus tinha que ser Deus para que pudesse nos dizer a verdade sobre o Pai. Porém, ele tinha, também, de ser um de nós para que a verdade pudesse ser comunicada a seres como nós. Por isso, Cristo é a Ponte, o Mediador, entre o infinito e o finito.
A encarnação do Verbo de Deus é a entrada de Deus na vida humana ao nível dos olhos. Por causa de sua própria humilhação, o Deus Filho pode advogar nosso caso com compaixão e entendimento. Ele esteve onde nós estamos, porém sem pecado. Ele ganhou o direito de representar seus irmãos no céu, assim como representou o Pai na terra.
Na pessoa de Cristo, Deus “visitou” as suas criaturas rebeldes. Ele veio para nossas salas, nossas festas de casamento, nossos escritórios. Ele come conosco, bebe conosco, ri e chora conosco. Os apóstolos não testificaram de um homem que caminhou com Deus, ou que de alguma forma se tornou divino; nem de um deus que parecia e agia como um ser humano, mas de um homem que era Deus e do Deus que era homem. Eles não testificaram de suas próprias experiências religiosas subjetivas, mas daquele “que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam” (1 Jo 1.1).
Esta época do ano, quando o Natal se aproxima velozmente, deve servir para aprofundar nosso entendimento da presença de Deus no cotidiano de nossas vidas. O “cristianismo de domingo” nega a encarnação, pois diz que Deus está preocupado apenas com nossa vida “espiritual” e que Ele considera as coisas “mundanas” uma distração para nossa “caminhada Cristã”. Entretanto, se nossa caminhada cristã tem qualquer coisa a ver com Cristo, ela deve compreender a totalidade de nossa existência. Na doutrina da Encarnação do Verbo de Deus, vemos Deus comendo, bebendo, conduzindo os negócios, descansando, cuidando de nossa casa, confortando-nos, falando sobre o Pai e seu plano amoroso de redenção e dando-nos uma visão de seu reino muito mais amplo do que aquilo que chamamos “vida espiritual”.
Que o Senhor sensibilize nossos corações nestes dias de ansiedade e preocupações.
Rev. Eloy Heringer Frossard