
Há alguns meses tenho andado preocupado e por este motivo em interseção em favor da igreja evangélica brasileira. O apóstolo Paulo certa vez disse: “O reino de Deus não é comida nem bebida”, mas percebo que as pessoas de nossa geração estão sendo atraídas a Cristo justamente pela sua cobiça e vaidade. Não quero aqui criticar lideres ou denominações, o julgamento pertence a Deus. Mesmo porque de uma forma ou de outra o evangelho tem sido anunciado e vidas têm sido verdadeiramente convertidas no meio da multidão “evangélica”.
Mas o que me deixa abismado, é perceber que em tão pouco tempo a mensagem do evangelho tenha sofrido tamanha transformação em sua pregação. Lembro-me claramente do dia de minha conversão, quando fui convidado para participar de um culto especial, onde o pregador incumbido pela mensagem era um ex traficante internacional de drogas casado com uma modelo famosa que tinha sido miss Brasil. A essência da mensagem era de que vindo para Cristo eles perderam não só muitos recursos, como também todo o glamour, mas em compensação receberam em troca: a libertação, a certeza de vida eterna e a nova vida
em Jesus. Uma vida de abundância. Essa mensagem impactou meu coração e naquela noite eu me rendi aos pés do mestre.
Lembro-me também das muitas mensagens missionárias que impactavam os jovens e adolescentes da minha época. Mensagens de terríveis sofrimentos em favor da causa do evangelho. E lembro-me como o coração daquela juventude ardia por ir para o pior lugar do mundo, o lugar mais carente do evangelho, para assim anunciar a insondáveis riquezas de Cristo.
O grande problema hoje, é que a igreja evangélica brasileira foi invadida pela teologia da prosperidade, teologia esta, que atrai as pessoas a Cristo justamente pela bebida e pela comida, e em detrimento a este tipo de igreja, existe uma que preserva a essência da mensagem do evangelho, mas infelizmente se encontra fria espiritualmente falando, ou seja, sem expressão na sociedade.
Não quero aqui afirmar que o crente não vai ser prospero. Pelo contrario, só o fato de que a pessoa deixa uma vida desregrada e de vícios para trás, e começa a agir com sabedoria na vida financeira, ela já passa a desfrutar certa prosperidade. Mas o quero deixar claro é que Deus não tem obrigação e nunca prometeu que permitiria que “todos” os crentes fossem podres de rico. Pelo menos, na minha Bíblia não existe tal promessa. E o que vai acontecer é que as pessoas vão se frustrar de participar das “fogueiras santas”, sem receber as promessas feitas pelos seus líderes. E é ai que a verdadeira igreja vai fazer a diferença.
Creio de todo o coração que daqui alguns anos as igrejas que vão crescer e impactar nossa geração, sem se tornar mega igrejas, serão aquelas em que a essência do evangelho é pregada e onde o poder do Espírito é manifesto.
Jovens, adolescentes, adultos e idosos, que neste fim de semana, o tema do III Congresso da Juventude, venha encher nosso coração do desejo de servir ao Senhor. Que de uma vez por todas, entendamos que estamos de passagem neste mundo, que o reino do nosso mestre não é aqui, e que estamos incumbidos de impactar nossa geração com a mensagem libertadora do evangelho.
Rev. Daniel Zampa de Araújo